O fluxo de um rio é inspiração para inúmeras metáforas cotidianas, como transcorrer do tempo ou trajetoria da vida. Foi o fluxo do rio tiete, que percorre todo estado de São Paulo, que orientou a exposição Quase Liquido, com curadoria de Cauê Alves.
A mostra na integra o evento multidisciplinar realizado pelo Itau Cultural voltado à compreenção dos aspectos contemporâneos de questões como o meio ambiente e a vida urbana.
Com sua consistencia gelatinosa e mau cheiro, o rio representa no trecho que compreende a capital paulista, indefinição quanto ao seu estado: um estagio de quase liquidez. Essa indefinição simboliza a condição da contemporaneidade, marcada pela fluidez sempre a ponto de se modificar.
As vitrines que Ana Maria Tavares expõe parecem possuir uma estrutura líquida. Nelas vemos paisagens perdidas que, de tão leves e fluidas como a memória, flutuam. Entretanto, esses móveis de vidro que apresentam extrema limpeza formal – geralmente destinados a expor algo de valor – se encontram praticamente vazios. Inspiradas no mobiliário de Lina Bo Bardi, é como se as vitrines pudessem congelar o que está em seu interior. São espaços que parecem provocar uma suspensão do fluxo do tempo.
Ao estabelecer um paralelo entre a contemporaneidade e a consistência do rio, a mostra trata-se do mundo atual, em que as coisas cada vez mais perdem a constância e a estabilidade e se tornam voláteis, ou seja, quase liquidas. O espaço expositivo se divide entre a sede do Itau Cultural e as margens do rio Tiête, onde está instalada a obra do Pets, do artista Eduardo Srur, composta por 20 garafas inflaveis monumentais, dispostos nos canteiros entre as pontes do Limão e da Casa Verde na marginal Tiête.


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